quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

London London - Caetano Veloso


DIÁRIO DE LONDON

Amanheci com o sol de Londres na cara
As folhas secas e úmidas me mostram que é inverno
O vento gelado me aproxima do Golfo
As luzes anunciam que a época é de Natal
E os fogos a vinda do Ano Novo
Caminho pelo Velho Mundo
E me desloco para além de qualquer fronteira

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O PÃO NOSSO DE CADA DIA





EQUILÍBRIO          
PAZ                                
ALEGRIA        
INSPIRAÇÃO        
CONSCIÊNCIA

COMPAIXÃO

 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

INFLORESCÊNCIA DA ALCACHOFRA

CYNARA SCOLYMUS
 
Sou como a inflorescência da alcachofra
Diferente das flores que apenas embelezam e perfumam
Também dou frutos
Planta perene
Folhas verde claro, como os meus olhos
Cobertas de penugem branca, como os meus braços
Aparência pálida
Bela, com sabor
Ajuda a controlar o fluxo da bílis
A bílis de Hipócrates
Ganhei uma dúzia de alcachofras
Junto veio uma inflorescência
Acabou a melancolia

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

OS LAÇOS E OS NÓS

Penélope Vaticana - Museu Pio-Clementino - Roma
        
Hoje comecei a desatar os nós e os laços da trama do        tapete que ganhei. Como Penélope, quando a noite chega e todos dormem, estendo o tapete na mesa da sala e frente a ele com a mesma agulha com a qual foi tecido desfaço nó por nó. Não é trabalho fácil porque os nós estão sedimentados pelo tempo e apertados com tamanha força que chego a pensar que jamais conseguirei desmanchá-los. Tento então afrouxá-los, um a um. Os laços, não os encontro. A memória que se revela na combinação das cores e na repetição  das formas vai pouco a pouco se diluindo. No desencontro dos fios sigo descobrindo outros caminhos que serão tecidos em outro enredo de um novo tapete. Supero os perigos da noite escura e ao amanhecer componho os laços que não encontrei. Assim vou entrelaçando ponto por ponto criando novos desenhos, novas matizes e destituida de afeto me protejo, me aqueço, me cuido à espera de mim.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

PROCURA-SE

Rubem Grilo

PERDI MEU EGO
ALGUÉM ME AJUDE
POR FAVOR!
CONVOCO AMIGOS INIMIGOS
CONHECIDOS  DESCONHECIDOS
PERDI A RAZÃO
ONDE FOI PARAR
MEU PRINCÍPIO DE REALIDADE?
ONDE ESTÃO
OS MECANISMOS DE DEFESA?
CADÊ MINHA CONSCIÊNCIA?
ALGUÉM ME AJUDE
POR FAVOR!
 
                           
 


domingo, 23 de setembro de 2012

ILUSIONISTA




OCULTAR
O QUE
ESTÁ
NA VISTA

                                             




domingo, 2 de setembro de 2012

140 CARACTERES




NEM MAIS NEM MENOS
RESPOSTA 140 CARACTERES
LAMÚRIA 140 CARATACTERES
DOAÇÃO 140 CARACTERES
PEDIDO 140 CARACTERES
PORÉM NO AMOR SERÁ DIFERENTE
INFINITOS CARACTERES
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012



           Hoje
         No pé de ipê amarelo da Rua Carlos de Carvalho com a Alameda Cabral
         Brotou a primeira flor de 2012
         Nos galhos secos não havia indícios de florada
         Parecia ser uma árvore velha
         Maltratada pelo tempo
         Duvidei das flores
         Qual a minha surpresa
         Quando nesta manhã de inverno
         Avistei em contraste com o azul do céu
         O amarelo da flor
         Outras vão surgir
         E o céu não será o mesmo.

domingo, 10 de junho de 2012

E AGORA?




SOCORRO!
O OLHAR DA MEDUSA ME ATINGIU PETRIFICOU MINH'ALMA
DESTRUIU MINHA CAPACIDADE DE AMAR PARALISOU MEU OLHAR
   E AGORA?
   

 

sábado, 26 de maio de 2012

CARTAS QUE ESCREVI A FREUD (1)

Outono de 2012
Prezado Dr. Freud


   Desde o nosso último encontro muitas coisas aconteceram. Recuperei meu ânimo e a vontade de trabalhar, e nas horas vagas, que são poucas, consigo ver o sol se pôr.
   Não há dúvida de que a sua teoria e as nossas conversas muito tem me ajudado no meu processo de libertação. Também o meu curso de Psicologia tem contribuido para que eu desenvolva meu auto conhecimento. Nas aulas sobre as teorias da personalidade tenho conhecido os seus seguidores que mais tarde romperam, mas que trazem em suas teorias o suporte dado pelas suas descobertas frente à construção psíquica. Gosto de Jung quando  fala sobre o coletivo, a persona e a abordagem mítica dos símbolos. Por Skiner não nutro grande admiração. Não acredito que a cura do sintoma elimine aquilo que os desencadeia, a mim parece mais uma ideia vinda da América que preza pela  necessidade do imediatismo. Adler com a sua proposta de superação e seus conceitos de inferioridade e superioridade agradam a qualquer um. Entendo bem a sua resistência a ele: pouco à sistematização e muito ao senso comum. Agora estudo Reich com seus conceitos sobre a função do orgasmo e uma vida sexual infinitamente mais livre que muito me agradam.
   Quanto a minha alma, ainda me debato com a  proposta de comportar-me honrosamente, a poupar os outros e a ser boa sempre que possível, e por que não parei de fazê-lo quando me dei conta de que desta maneira a gente chega a fazer-se mal e se torna alvo porque algumas pessoas são brutais e indignas de confiança, então realmente não tenho resposta. Acredito ser isso parte de minha herança. Se pelo menos mais um pouco dessa preciosa herança pudesse ser encontrada em alguns seres humanos!
   Pouco a pouco tenho expulsado meus complexos infantis e soltado minha pele velha deixando-a com meu psicanalista através da transferência e assim o meu ganho terapêutico tem sido a troca da qual tantas vezes conversamos. A harmonia entre minha realidade interna e externa dia a dia se consolida. Tenho caminhado bem Dr. Freud!
   Agradeço imensamente suas felicitações pela passagem do meu aniversário e me despeço aqui desejando poder revê-lo em breve.
   Afetuosamente,                                                                                                 Astrid Richter

segunda-feira, 21 de maio de 2012

ALFRED ADLER E A PSICOLOGIA INDIVIDUAL




 Billy Elliot é filho caçula, com 11 anos, órfão de mãe. Elliot mora ao norte da Inglaterra com a avó (em estado senil), o pai e seu único irmão mais velho, ambos mineradores, que lutam por melhores condições de trabalho e salário atuando em  movimentos grevistas. É possível fazer um paralelo entre um dos princípios fundamentais da teoria de Adler que se refere ao interesse social e ao sentimento de comunidade com o comportamento do pai e do filho mais velho. Tanto um quanto o outro vivem impulsionados pela busca da superação do sentimento de inferioridade causado pelos baixos salários, péssimas condições de trabalho e pela precária qualidade de vida. Também a agressão pela luta da superioridade  funcionou como incentivo para a superação desses obstáculos.  Sob a ótica da teoria adleriana em relação à posição na ordem de nascimento, o irmão mais velho exerce poder sobre o mais novo e está subordinado ao pai. Por essas razões o modelo de homem imposto à Billy, que está entrando na adolescência, é o da agressividade e do uso da força física como forma de defesa de seus conflitos. Elliot é obrigado a aprender a lutar box e torna-se claro no decorrer do filme o desagrado que isso lhe causa. O menino tem uma personalidade diferente do pai e do irmão, pois carrega traços da mãe que nas suas lembranças foi uma mulher sensível e dócil. Na sua primeira ida à academia de box  Billy resiste em lutar e observa que simultaneamente ao box, na sala ao lado, havia aula de ballet. Ele se interessa pela dança e abandona a luta sem que seu pai saiba. A partir dessa escolha inicia-se o tema principal do filme que é a batalha pela quebra de paradigmas de uma comunidade machista e oprimida e de uma família na qual prevalece a ideia de que a força física é a grande arma para se enfrentar os conflitos da vida.
O problema que se segue surge da resistência do pai e do irmão em aceitarem a ideia de que Billy Elliot se tornasse um bailarino, pois numa comunidade em que a  força  era sinal de virilidade a escolha pelo ballet parecia encaminhar o filho mais jovem à homossexualidade. Porém, movido pelo reconhecimento de seu talento pela professora de ballet e pelo seu prazer em dançar, Billy internaliza algumas das premissas básicas da teoria de Adler: o de ser o individuo uma entidade criativa, autodeterminada,  unificada e coerente e também a subjetividade individual  demonstrada através da sua habilidade em lidar com as proibições impostas e por  não desistir de lutar pelo seu ideal em ser bailarino. Através do seu objetivo e estilo de vida como o centro de realização Elliot transgride  regras e consegue demonstrar o poder criativo do self não aceitando passivamente os modelos, criando dessa forma o seu próprio destino. Pode-se também aqui analisar a questão da posição na ordem de nascimento. Sendo o protagonista do filme o filho caçula da família observa-se a característica de um amadurecimento rápido e a marca de um grande realializador naquilo que almejava
Torna-se claro através do filme Billy Elliot alguns conceitos básicos da teoria adleriana sobre a natureza humana como a superação frente aos conflitos, o otimismo e o livre arbítrio. Diferente de Freud, de quem sofreu grande influência, Adler coloca o homem como condutor do seu destino fugindo assim do determinismo abordado pela psicanálise. O ser humano deixa de ser vítima da sua história pregressa e através da experiência tem o poder de transformar  as tendências herdadas em força criativa.  Dessa maneira, Billy Elliot constroi o seu próprio relacionamento com o mundo  ao enfrentar e superar as barreiras impostas a ele na busca do seu ideal em se tornar um famoso dançarino.

sábado, 19 de maio de 2012

O CASACO

A noite prometia ser fria. Parada em frente ao guarda-roupa escolhi o casaco que iria me aquecer. Vesti-o e ao colocar minhas mãos nos bolsos apalpei algo que não consegui identificar. Me lembrei que desde o inverno passado eu não o usara. Tirei então do bolso esquerdo o objeto desconhecido. Era um frasco de floral que eu mandara fazer para Sacha. Lembro-me ainda quando escolhi os florais do Dr. Bach que iriam compor o remédio: Aspen, para os medos; Wild Oat, para a insatisfação frente a vida e lentamente fui desmembrando aquilo que seria a chave para a cura interior. Sempre tive muito cuidado com Sacha, cuidava da sua alimentação, do seu intelecto, do seu corpo. Porém, o floral para a cura da alma ficara no bolso do casaco verde.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

EU E O TEATRO

EROS E THANATOS ME DÃO DE COMER
A PERSONA SOBE AO PALCO
T R A N S F O R M A
MISTURO OS GESTOS
A MÚSICA A PALAVRA
INICIA-SE A CATARSE

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O DIA EM QUE ME TIRARAM O OXIGÊNIO

 "Em cada homem há dois que dançam - o pulmão direito e o esquerdo.
Os pulmões dançam e o homem recebe oxigênio. Se você pegar uma pá e bater no peito de um homem na altura dos pulmões, as danças param. Os pulmões não dançam mais, o oxigênio não chega." (fragmento do texto Oxigênio, de Ivan Viripaev).

De como eu fui atingida pela pá.
Eu Sacha, ela Sacha. Numa noite comum de um dezembro qualquer fui atingida por uma pá na altura dos pulmões. Cambaleei, me retorci, estrebuchei no chão. Sacha tirou de mim naquele momento o que é o meu oxigênio: a crença no ser humano e a esperança de um mundo melhor. A pá com a qual Sacha me acertou em cheio os pulmões, tanto o direito como o esquerdo, chegou carregada de individualismo, de valores imediatos e hedonistas. Tentei mostrar a ela que não é apenas do aqui e agora que contruimos nossas vidas. Tentativa vã. O coração de Sacha não guarda nada, Sacha não preserva a memória, só o agora lhe basta. A luta continuou, nos emaranhamos mais e mais com palavras e luta corporal. Sacha não se contentou em me ver ali sangrando, para ela aquele sangue era nada, e pegou novamente a pá que havia me acertado há pouco e a encheu com meus defeitos e fragilidades e deu então seu último golpe que atingiu ferozmente o meu pulmão esquerdo. Fui nocauteada, perdi a batalha frente a perversidade de Sacha e morri ali mesmo, no passeio da rua.

sexta-feira, 30 de março de 2012

A DÚVIDA



              Sempre me pergunto: de onde vem a dúvida?
          A dúvida vem da não certeza, do aceitar ou não aceitar
          A dúvida vem da Razão do Consciente do Ego da Persona
          Para termos uma dúvida precisamos da realidade
          É a dúvida quem move a ciência, e não as respostas
          A dúvida é pra fora é a não ação
          Ela faz parte da nossa existência
          De onde viemos? Para onde vamos?
          Quem sou eu? Existe ou não existe?
          Diariamente me deparo com minhas dúvidas
          Corto ou não o cabelo?
          Esta ou aquela roupa?
          Envio ou não envio?
          Peço ou não peço?
          Vou ou não vou?
          Falo ou não falo?
          Para algumas consigo encontrar respostas
          Outras, porém
          Me parece, serão eternas